segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Pioneira da inclusão do deficiente visual morre aos 91 anos


Dorina Nowill estava internada havia 15 dias em hospital de São Paulo; corpo será velado na sede da fundação que leva seu nome

29 de agosto de 2010 | 22h 57

SÃO PAULO - A professora Dorina de Gouvêa Nowill, uma das maiores ativistas pela inclusão dos deficientes visuais no País, morreu neste domingo, 29, aos 91 anos. Segundo informações de familiares, ela estava internada havia cerca de 15 dias no Hospital Santa Isabel, na zona oeste, para tratar uma infecção, mas acabou sofrendo parada cardíaca. O velório deve ser realizado na segunda-feira, na sede da fundação que leva seu nome.

Dorina foi a primeira aluna cega a matricular-se numa escola regular em São Paulo

"Foi uma morte praticamente natural", afirma seu filho Alexandre Nowill, que também era seu médico. Dorina, que era casada com Edward Hubert, deixa outros quatro filhos - Cristiano, Denise, Dorininha e Márcio Manuel -, além de 12 netos.

A professora ficou cega aos 17 anos por causa de uma doença que os médicos nunca conseguiram entender. Decidiu então dedicar a vida à luta pela inclusão de pessoas na mesma condição.

Com um grupo de amigas, criou em 1946 a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, que em 1991 recebeu seu nome. Junto com o Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, a Fundação Dorina Nowill Para Cegos foi uma das pioneiras na produção de livros em Braille, na distribuição gratuita dessas obras para deficientes visuais e no desenvolvimento de técnicas mais modernas para que o cego consiga ler - como livros falados e vozes sintetizadas no computador.

Superação. Dorina foi a primeira aluna cega a matricular-se numa escola regular em São Paulo. Na época, deficientes visuais praticamente não tinham acesso à cultura e à informação por causa da falta de livros adaptados.

Em 1945, conseguiu convencer a Escola Caetano de Campos, onde cursava o magistério, a implantar o primeiro curso de especialização de professores para o ensino de cegos. Após diplomar-se, viajou para os Estados Unidos com uma bolsa de estudos paga pelo governo americano para frequentar um curso de especialização na área de deficiência visual, na Universidade de Columbia.

Quando regressou ao Brasil, concentrou esforços na fundação da primeira imprensa Braille de grande porte do País. Hoje, a editora é uma das principais fontes de renda da fundação e produz 80% dos livros do Ministério da Educação para deficientes visuais e encomendas especiais de cardápios para restaurantes, instruções de segurança de companhias aéreas, best-sellers, etc.

Dorina dedicou-se também à regulamentação da educação para cegos. Na Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, foi responsável pela criação do Departamento de Educação Especial para Cegos. Em 1961, graças a seu empenho, o direito à educação ao cego virou lei.

Em Brasília. Entre 1961 a 1973, Dorina dirigiu o primeiro órgão nacional de educação de cegos no Brasil, criado pelo Ministério da Educação, Cultura e Desportos. Realizou programas e projetos que implantaram serviços para cegos em diversos Estados, além de eventos e campanhas para a prevenção da cegueira.

Em 1979, a professora foi eleita presidente do Conselho Mundial dos Cegos. Em 1981, Ano Internacional da Pessoa Deficiente, ela falou na Assembleia Geral das Nações Unidas como representante brasileira. Dorina também trabalhou intensamente para a criação da União Latino Americana de Cegos e foi diversas vezes premiada por seu trabalho.

Em 1989, o Congresso Nacional ratificou a Convenção 1599 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da reabilitação, treinamento e profissionalização de cegos. Esse foi mais um desdobramento do trabalho que Dorina havia começado 18 anos antes, com o primeiro centro de reabilitação para cegos criado por sua fundação.


http://www.estadao.com.br/noticias

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Aprovada PEC que impede escolas de recusarem maiores de 18 anos com deficiência


A Comissão Especial da Educação Especializada para Deficientes da Câmara aprovou nesta-terça-feira (17), por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que impede as escolas de recusarem estudantes com deficiência maiores de 18 anos. De autoria da deputada Rita Camata (ES), a PEC 347/09 determina que os alunos sejam atendidos em condições e horários adequados às suas necessidades especiais. A proposta foi acatada na forma de substitutivo apresentado pelo deputado Paulo Delgado (PT-MG) e seguirá para votação em plenário. Uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) de 2001 criou o conceito de “esgotamento das possibilidades educacionais”. Foi a partir dessa norma que começaram as interpretações erradas sobre o texto constitucional. Quando completava 18 anos, o aluno com deficiência tinha o atendimento interrompido ou era transferido para outra escola de Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

Para a deputada, a PEC define de uma vez por todas que eles devem ter os mesmos direitos e oportunidades assegurados pela Constituição Federal. “A proposta assegura que todas as pessoas com deficiência têm um tempo diferenciado das demais. E garante que elas possam continuar aprendendo, seja com 10 ou 50 anos. Todos são iguais perante a lei”, explicou a deputada. De acordo com Rita Camata, sua proposta proporciona inclusão social, dignidade e cidadania.

Segundo o deputado Eduardo Barbosa (MG), a PEC corrige o "absurdo" que acontecia em escolas de todo o país. “Não podemos encerrar o processo educacional porque a pessoa fez 18 anos. Ela tem o direito de continuar frequentando o sistema escolar e, preferencialmente, na rede regular de ensino, próximo a sua casa e em horários adequados”, explicou.

Milhões podem ser beneficiados

24,6 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, segundo dados do Censo Demográfico de 2000, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)


Matéria capturada no link
http://www.primeiraedicao.com.br/?pag=politica&cod=7522
(18/08/2010 10:55)




sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Audiodescrição no cinema para deficientes visuais


O Link abaixo nos leva a uma máteria do Jornal Nacional, da Rede Globo, sobre acessibilidade no cinema para deficientes visuais. A partir da caracterização de cenas e personagens por audiodescrição, todos puderam assitir ao filme que conta a história de Chico Xavier. Confiram!



http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional/v/ir-ao-cinema-pode-ser-uma-experiencia-fascinante-para-deficientes-visuais/1310829/


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Livro sensorial




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Jogos táteis




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Construção de "Braillão"




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Quebrando barreiras rumo à inclusão

Felizmente, de maneira geral, a visão atual, em relação às pesoas com deficiência, vem deixando de ser segregacionista e passando a ser inclusiva. Há uma maior clareza quanto à necessidade de integrarmos estas pessoas à sociedade, entendendo, desta forma, que a elas devem ser plenamente garantidos todos os direitos que as demais pessoas usufruem, nas mais variadas esferas: educação, saúde, lazer, trabalho, etc.
Para isto é imprescindível que barreiras sejam quebradas: arquitetônicas, de comunicação, de estratégias equivocadas de ensino, de precariedade de materiais de apoio, entre outras. Entretanto, a maior destas barreiras é a do preconceito, sentimento este que, muitas vezes, impede uma verdadeira inclusão. O preconceito pode partir da própria pessoa com deficiência, de seus familiares ou da sociedade, da qual a escola também faz parte e na qual exerce um papel fundamental.
No âmbito da educação, o professor, figura essencial neste processo, vive conflitos, seja por enfrentar seus próprios preconceitos, seja por enfrentar as limitações em sua formação ou frente aos recursos didáticos de que dispõe para lidar com as pessoas com deficiência. Destacam-se entre os recursos necessários ao bom desempenho de seu papel, enquanto facilitador da aprendizagem, as tecnologias assistivas, que vêm a ser uma importante ferramenta para tornar possível aquilo que antes não parecia atingível pelas pessoas com necessidades especiais. Segundo o professor Antônio Borges: Para as pessoas normais, a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis.De tal forma, é requerida ao profissional da educação, seja na sala de recursos, como professor itinerante ou titular de uma sala de ensino regular, uma formação extremamente especializada e contínua, para enfrentar os mais diferentes tipos de deficiências e suas demandas particulares.
A pretensão é cada vez darmos maior visibilidade às pessoas com deficiência, o que já vem ocorrendo, por exemplo, na televisão, importante mídia de massa que, nos últimos anos vem enfocando a realidade dessas pessoas, através de ações como: programações para a arrecadação de dinheiro em prol de entidades de tratamento; presença, nas novelas, de personagens com deficiências variadas, como Síndrome de Down e cegueira; promoção e cobertura de eventos esportivos específicos. É inegável que já avançamos muito rumo a tal objetivo. Porém, é notório que a caminhada ainda é longa, para que sintonizemos os direitos que a legislação brasileira, uma das mais avançadas no mundo, a este respeito, assegura às pessoas com deficiência, com o que elas, de fato, enfrentam na realidade.